Lançamento de Livro | 2026 | ABC da Guerra | Teatro Nacional São João | Salão Nobre TNSJ | terça-feira | 17 nov 2026 | 19:00
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P. Un.
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Livres
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Geral
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58
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Emilia Galotti
Teatro Nacional São João
de Gotthold Ephraim Lessing
tradução e prefácio de João Barrento
[Emilia Galotti] é uma das poucas obras "modernas" fria e clara, sem os excessos já românticos do próprio Werther [de Goethe] do seu tempo; de uma obra que coloca a situação trágica sob a luz da modernidade possível na época: a da escolha da morte livre, e não do suicídio (a língua alemã distingue mais claramente entre as duas coisas). Por razões éticas, e não por sujeição a um qualquer "destino". É a paradoxal, já o dissemos afirmação do sujeito burguês na pessoa de uma personagem de mulher à primeira vista (e durante quase toda a acção, à excepção do final) apagada e distante, sem presença e dependente. Mas Emilia, como Werther, revela a força das suas fraquezas ao mostrar (contra a ideologia dominante da família patriarcal transformada em microcosmo que espelha a própria sociedade) que não se nasce nem se morre apenas por um determinismo biológico, por obra e graça de um destino imponderável (antigo) ou radicado no próprio carácter (moderno, shakespeariano), mas por decisão.
João Barrento Do Prefácio
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As Bruxas de Salém
Teatro Nacional São João
de Arthur Miller
tradução e prefácio de Fernando Villas-Boas
posfácio de Arthur Miller
"As Bruxas de Salém foi um acto de desespero." Nestas palavras, Arthur Miller sinaliza o paralelo que com esta peça quis traçar entre dois períodos negros de caça às bruxas na América: o do julgamento de homens e mulheres acusados de bruxaria na pequena comunidade de Salém, em 1692, e o do macarthismo, nos anos 1950, de que também foi vítima. Do seu epicentro um fascínio primevo pela paranóia, que sacrifica indivíduos na sua fúria colectiva alastra o medo, a força que a atravessa. A angústia das personagens sobrevém de não terem palavras para dizer a sua verdade, até mesmo na mais pura intimidade. A honra e o nome incandescem na prova de fogo do processo judicial: "Como posso eu viver sem o meu nome?", pergunta John Proctor. Puritanismo, manipulação política, vingança privada, delação, culpa achas que ardem no cadinho desta peça.
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O Começo Perdido: Mixtape #1
Teatro Nacional São João
de Pedro Martins Beja
tradução de Helena Topa
posfácio de Florian Hirsch
O texto, desenvolvido em parte como work in progress, em conjunto com o ensemble composto por Hana Sofia Lopes, Fábio Godinho, Jorge Mota, Markus Steinkellner, Matthias Koch e por Florian Hirsch, durante os ensaios no Théâtre National du Luxembourg, leva-nos numa viagem ao inquietante, ao reprimido e ao inconsciente. Uma viagem que, no final, se vai, porventura, "dissolver numa última recordação". Para lá das ligações concretas com o Luxemburgo e Portugal, a peça dá constantes indicações que ultrapassam este contexto particular. No local descobre o global, no biográfico, o geral, na solidão individual, a solidão metafísica. Os seus temas, sobretudo o da identidade e respetiva busca, e a experiência da estranheza, são universais, sendo que esta última, associada à experiência da xenofobia, é, infelizmente e logo para começar, comum às pessoas com história de migração. (Do Posfácio)
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O Teatro Eurasiático
Teatro Nacional São João
de Nicola Savarese
tradução de Ana Isabel Soares; prefácio de Francisco Luís Parreira
"O teatro eurasiático não é o teatro das estepes da Ásia Central: diz respeito a uma região do saber teatral, na qual as iridescentes tradições dos teatros clássicos da Ásia o Nô, o Kabuki, as danças da Índia e de Bali, a Ópera de Pequim se entretecem com as tradições do teatro europeu e ocidental. Por conseguinte, é um território onde Eurípides, Kalidasa, Shakespeare, Zeami,
a Poética de Aristóteles e o Nätyashastra indiano convergem nos limites de um único património de sabedorias teatrais. Este território tornou-se explícito no século xx, ainda que as relações, as trocas, os mal-entendidos mais ou menos fecundos entre o Oriente e o Ocidente no campo do teatro e das práticas cénicas remontem à Antiguidade: é, de facto, no século xx que o teatro eurasiático encontra eco mais amplo nos contextos, primeiro, do colonialismo e das suas tendências exóticas e, depois, do multiculturalismo. O presente livro [] dedica-se à retrospectiva do teatro eurasiático no século xx europeu, em que homens do teatro como Craig, Meyerhold, Artaud, Brecht, Grotowski, Brook e Barba extraíram das culturas asiáticas alguns dos estímulos mais profundos para as suas práticas e teorias."
Nicola Savarese
Nicola Savarese
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Airbnb & Nuvens
Teatro Nacional São João
de Luísa Costa Gomes
A peça é um palimpsesto. Arqueologicamente, a camada mais antiga é muito antiga, composta a partir das ruínas de projectos imaginados nos idos de noventa, inseridos, reconfigurados e rescritos em 2015 na intriga do elevador. Naquele tempo, vivíamos o regime do terror da dívida e estávamos bastante empenhorados. O mote era a fatalidade do empreendedorismo para os pobres e do conluio com o Estado para as empresas com poder de alavanca. Em 2019, a realidade objectiva das penhoras não melhorara muito, em alguns casos até se agravara (sobretudo em questões de dívidas pequenas no crédito ao consumo), mas não estava já no centro do pesadelo. O centro era uma almofada de nuvens e o airbnb.
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Um Sonho
Teatro Nacional São João
de August Strindberg
tradução e prefácio de João Paulo Esteves da Silva
Escrita em 1901 e levada à cena em 1907, Um Sonho é uma das obras mais revolucionárias de August Strindberg. O dramaturgo sueco enfrenta e resolve aqui um paradoxo: representar a forma incoerente mas aparentemente lógica do sonho. As personagens tomam corpo, dissolvem-se, reconstituem-se. Abandonam a cena para reentrar logo a seguir num outro tempo e lugar. Tudo pode acontecer, tudo é possível e provável neste arsenal de aparições. No prefácio, João Paulo Esteves da Silva (músico, poeta, tradutor) fala-nos de "quadros de vida que se sucedem segundo uma musicalidade onírica". Mais: "É possível encontrar ecos formais de técnicas de composição musical, como a repetição integral ou variada do mesmo motivo, desenvolvimentos, refrães e até uma alusão à forma sonata, se considerarmos que o segundo tema, A entrada da ópera, se repete no final na mesma tonalidade do primeiro tema, O castelo crescente." Sonhos rasgados, um castelo em chamas, "um botão em flor explode num crisântemo gigante", ouve-se música. "Chiu! Os ventos ainda cantam!"
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Neva
Teatro Nacional São João
de Guillermo Calderón
tradução Joana Frazão
prefácio de Guillermo Calderón
Neva é uma peça sobre o Chile. Um grupo de atores ensaia uma peça de Tchékhov num teatro de São Petersburgo. O mundo é doméstico; uma sala de ensaio. Lá fora, os o¿ciais do czar disparam contra o povo, que marcha para melhorar as suas condições de vida. é janeiro de 1905 e, no inverno, a margem do Neva é impossível de imaginar. Mas é possível imaginar uma mesa e a família sentada a falar de política, enquanto lá fora Pinochet manda os seus o¿ciais matar as pessoas que o querem derrubar. Escrevi Neva porque os últimos quarenta anos da história do Chile foram de¿nidos pela revolução falhada do governo socialista de Salvador Allende. Depois do golpe de Estado de 1973, os corpos também ¿utuaram por um rio, o rio Mapocho, no centro de Santiago. A partir desse momento, refugiámo-nos numa vida doméstica, enquanto lá fora acontecia tudo o que acontece numa guerra. (Do prefácio do autor, neste livro)
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O Balcão
Teatro Nacional São João
de Jean Genet
tradução e prefácio de Regina Guimarães
Chantal: Eles só sabem lutar e tu só sabes amar-me. é o papel que aprendeste a interpretar. Mas comigo é diferente. Para alguma coisa o bordel me serviu, pois que me ensinou a arte de representar e de fingir. Tive de interpretar tantos papéis que os conheço quase todos. E tive tantos partenaires Roger: Chantal! Chantal: E alguns tão sabidos e tão retorcidos, tão eloquentes, que a minha ciência, a minha manha, a minha eloquência são incomparáveis. Posso tratar por tu a Rainha, o Herói, o Juiz, o Bispo, o General, a Tropa heróica e enganá-los. Roger: Conheces todos os papéis, não conheces?
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SUÉCIA
Teatro Nacional São João
de Pedro Mexia
prefácio de Jacinto Lucas Pires
posfácio de Pedro Mexia
Verão de 1976. Aproximam-se as eleições que ditaram o fim do consulado social-democrata na Suécia. Numa ilha de Estocolmo prepara-se o casamento de Monika, filha de Egerman, um intelectual desencantado com o modelo sueco. Dois regressos inesperados vão desencadear questões latentes sobre as ilusões do passado. Intrigado por "uma certa ideia" da Suécia como paraíso (perdido?), Pedro Mexia joga com a mitologia que dela nos chegou do cinema, do teatro ou da música. Peça de câmara, com os seus solos e duetos, Suécia convoca um elenco paralelo de autores que a assombram, com destaque para Bergman. É conduzida por uma leveza de comédia screwball, onde se insinua a gravidade de ecos de Strindberg, Ibsen e Tchékhov. A família, a felicidade, a ligação entre o pessoal e o político são ideias em circulação num pingue-pongue verbal que materializa a ideia de jogo que a move. "E a felicidade é isso? Isso o quê? O peixe ou o isco? Não querer nada. Ou querer pouco.
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Os Homens Morrem As Mulheres Sobrevivem
Teatro Nacional São João
de Arnold Wesker
tradução e prefácio de Fátima Vieira
Peça sobre as expectativas impossíveis do amor, "essa loucura ardente", Os Homens Morrem As Mulheres Sobrevivem (1990) questiona os falhanços amorosos de três casais sob as perspetivas feminina e masculina. Minerva, Mischa e Claire reúnem-se num jantar regado a "vinho e escárnio" para falar de homens. São os fantasmas das relações com Montcrieff, Leo e Vincent o que as assombra, até que a revelação de uma inesperada traição eclode. Arnold Wesker dá protagonismo às mulheres e aos seus momentos de partilha, enquanto reserva aos homens, representados por um só ator, "pseudodiálogos" com personagens imaginadas ou fora de cena. Tanto elas como eles veiculam traços autobiográficos de Wesker, sobretudo o dilema que o atormentou: a dupla identidade nacional (britânica) e cultural (judia). No final, o sentido do título aclara-se: as mulheres descobrem na sororidade o segredo da sua sobrevivência; aos homens, a quem não é dada a oportunidade de formar comunidade, só resta (metaforicamente) morrer.
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Palco Assombrado
Teatro Nacional São João
de Marvin Carlson
Tradução de Paulo Faria e Prefácio de Regina Guimarães
"Entre os estudiosos de Ibsen é habitual dizer-se que todas as peças dele se poderiam intitular Os Espectros. [] Podemos alargar esta observação, dizendo que todas as peças de teatro se poderiam intitular Os Espectros, já que um dos aspectos universais do teatro, tanto no Oriente como no Ocidente, é o seu carácter fantasmagórico, o sentimento de retorno, a impressão inquietante mas inescapável, exercida sobre os espectadores, de que esta-mos a ver o que já vimos antes. [] Todas as culturas teatrais reconheceram este cariz espectral, este sentimento de que algo regressa no teatro, e, como tal, as relações entre teatro e memória cultural são profundas e complexas. Assim como podemos dizer que todas as peças de teatro mereceriam o título Os Espectros, com igual pertinência podemos afirmar que todas as peças constituem um jogo em torno da memória." marvin carlson O teatro é uma prática assombrada em todas as suas dimensões: texto, corpo, encenação, palco. Neste livro, vemos melhor como convivem tantos fantasmas na tradição dramática ocidental e oriental, e na memória dos espectadores.
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O Pelicano
Teatro Nacional São João
de August Strindberg
tradução e prefácio de João Paulo Esteves da Silva
"Sede bem-vindos à vossa nova casa/ Mas não exijais nada de novo." Em 1907, com O Pelicano, Strindberg inaugura o Teatro Íntimo, essa "câmara propícia às confidências", para melhor dar a ver o que sempre o moveu: "A velha lenda da vida/ Em todas as suas faces e também em seus horrores/ O bem e o mal, a grandeza e a mesquinhez/ Intimamente." Em O Pelicano, assistimos à decomposição sem remédio de uma família, onde a exposição das mentiras e a queda das máscaras que a assombraram se revelam como prenúncio da catástrofe final. As personagens são exemplares trágicos de uma "ilusão útil", de uma espécie invertida de sonambulismo que lhes escancara a realidade, mas do qual não querem acordar Os Sonâmbulos foi o título de trabalho desta peça. É pelo fora de cena que a tragédia se insinua: ouvem-se gritos, uivos, vento, chuva, portas e janelas a bater, e música. Os três trechos musicais escolhidos por Strindberg para abrir cada "acto" pontuam a progressiva desesperança de salvação.
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