O FIMP no TNSJ | 2026 | Vidro Pantera - estilhaços de Heiner Müller | Teatro Carlos Alberto | Sala Principal TeCA | domingo | 18 out 2026 | 16:00
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Sector
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P. Un.
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Livres
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Plateia
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12,00€
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99
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Emilia Galotti
Teatro Nacional São João
de Gotthold Ephraim Lessing
tradução e prefácio de João Barrento
[Emilia Galotti] é uma das poucas obras "modernas" fria e clara, sem os excessos já românticos do próprio Werther [de Goethe] do seu tempo; de uma obra que coloca a situação trágica sob a luz da modernidade possível na época: a da escolha da morte livre, e não do suicídio (a língua alemã distingue mais claramente entre as duas coisas). Por razões éticas, e não por sujeição a um qualquer "destino". É a paradoxal, já o dissemos afirmação do sujeito burguês na pessoa de uma personagem de mulher à primeira vista (e durante quase toda a acção, à excepção do final) apagada e distante, sem presença e dependente. Mas Emilia, como Werther, revela a força das suas fraquezas ao mostrar (contra a ideologia dominante da família patriarcal transformada em microcosmo que espelha a própria sociedade) que não se nasce nem se morre apenas por um determinismo biológico, por obra e graça de um destino imponderável (antigo) ou radicado no próprio carácter (moderno, shakespeariano), mas por decisão.
João Barrento Do Prefácio
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UBU
Teatro Nacional São João
de Alfred Jerry
tradução e notas de Luísa Costa Gomes
Dom Ubu: Oh! Oh! Oh! E então, já acabaste? Agora começo eu: torção do nariz, arrancanço dos cabelos, penetração do pauzinho nas onelhas, extracção do cérebro pelos calcanhares, laceração do traseiro, supressão parcial ou mesmo total da espinal medula (se ao menos assim se conseguisse tirar-lhe os espinhos do carácter), sem esquecer a abertura da bexiga natatória e por fim a grande degolação renovada de São João Baptista, tudo isto tirado das Santíssimas Escrituras, tanto do Antigo como do Novo Testamento, organizado, corrigido e aperfeiçoado pelo aqui presente Mestre das Finanças! Convém-te assim, ó minha seresma? Tradução e notas Luísa Costa Gomes.
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Noite de Reis ou Como Lhe Queiram Chamar
Teatro Nacional São João
de William Shakespeare
tradução, prefácio e notas de António M. Feijó
Uma rapariga disfarça-se de pajem e intercede, junto de uma mulher, em nome de um homem.
A este nó central enreda-se um entrecho secundário, dramatizando-se assim uma teia de deliberados logros sobre a circulação do desejo. Shakespeare tece esta comédia sob uma "luz terna e lenta", mas não esconde linhas de sombra, que tanto sublinham a "sexualidade cansada" das suas personagens como a indecidibilidade da verdade. Diz o bobo: "A verdade não a posso expor sem palavras, e as palavras tornaram-se de tal modo falsas, que me repugna travar-me de razões com elas." Peça contemporânea de Hamlet, Noite de Reis faz da sua "imponderabilidade mozartiana" um contraponto à natureza sanguínea das grandes tragédias do autor. A tradução, originalmente feita para a encenação de Ricardo Pais, é de António M. Feijó, que a reviu para esta edição.
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Longa Jornada Para a Noite
Teatro Nacional São João
de Eugene O'Neill
tradução e prefácio de Luísa Costa Gomes
Eugene ONeill compôs esta "peça de antigas penas, escrita a lágrimas e sangue" entre 1939 e 1941, mas Longa Jornada Para a Noite só seria publicada e representada postumamente, em 1956, a pedido do autor. Texto-testamento ou peça-exorcismo, como se ONeill fizesse suas as palavras de Jamie, um dos quatro membros da família Tyrone: "Não consigo esquecer o passado. Esse é que é o inferno." Longa Jornada Para a Noite é um dos mais poderosos retratos teatrais da família disfuncional, obra central da dramaturgia psicológica moderna. Acorrentados uns aos outros por sentimentos de rancor, culpa e recriminação, os Tyrones são criaturas a um tempo vulneráveis e implacáveis, sarcásticas e melancólicas, gagas e eloquentes. "Gaguejar é a eloquência nativa da nossa gente, o povo do nevoeiro."
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O REI LEAR (Bilingue)
Teatro Nacional São João
de William Shakespeare
tradução e prefácio de António M. Feijó
Escrita entre 1603 e 1606, O Rei Lear é uma tragédia tardia de Shakespeare. A acção decorre na corte de um rei, num momento crítico de transição dinástica, em que os domínios pessoal e político se tornam indistinguíveis. Um pai decide partilhar os bens pelas três filhas e faz
depender essa divisão de uma declaração de afecto de cada uma delas. A sua cegueira face à recusa da mais nova, e ao seu "nada", desencadeia uma parada de horrores, uma violência de feras. A intensa crueldade que esta peça põe em cena só encontra par na eloquência rara com que o jogo passional é exposto. "O arco está recurvo e tenso: afasta-te da flecha", diz Lear a Kent, quando o conflito se revela. Esta imagem de uma flecha desferida, cujo desfecho não depende só de quem a desfere assim como o fim de um acto se pode revelar catastrófico para o seu agente ou para outrem , expressa a insondabilidade da conduta humana.
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As Bruxas de Salém
Teatro Nacional São João
de Arthur Miller
tradução e prefácio de Fernando Villas-Boas
posfácio de Arthur Miller
"As Bruxas de Salém foi um acto de desespero." Nestas palavras, Arthur Miller sinaliza o paralelo que com esta peça quis traçar entre dois períodos negros de caça às bruxas na América: o do julgamento de homens e mulheres acusados de bruxaria na pequena comunidade de Salém, em 1692, e o do macarthismo, nos anos 1950, de que também foi vítima. Do seu epicentro um fascínio primevo pela paranóia, que sacrifica indivíduos na sua fúria colectiva alastra o medo, a força que a atravessa. A angústia das personagens sobrevém de não terem palavras para dizer a sua verdade, até mesmo na mais pura intimidade. A honra e o nome incandescem na prova de fogo do processo judicial: "Como posso eu viver sem o meu nome?", pergunta John Proctor. Puritanismo, manipulação política, vingança privada, delação, culpa achas que ardem no cadinho desta peça.
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As Histórias de Horácio
Teatro Nacional São João
de Georges Banu
Tradução, prefácio e notas de Edmundo Cordeiro
"Hamlet expira depois de ter consumado a vingança do fantasma à custa da sua própria vida, mas não sem antes fazer um apelo a Horácio, o Homem moral, o amigo íntimo: contar a sua história, da qual o príncípe o faz legatário, para que não se desfaça nas brumas do esquecimento. (...) Na hora final, indispensável e bem-vinda, 'atribuo' a mim próprio o papel de Horácio. (...)
Georges Banu
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Elogio do Teatro
Teatro Nacional São João
de Alain Badiou com Nicolas Truong
Tradução, prefácio e notas Edmundo Cordeiro
"O teatro foi sempre violentamente atacado: há milénios que o teatro está sob suspeita, é objecto de interdição pelas igrejas, atacado por filósofos célebres como Nietzsche ou Platão, considerado por autoridades diversas como susceptível de actividade subversiva ou crítica. Esteve ligado à maior parte dos grandes empreendimentos revolucionários, que muitas vezes criaram um teatro no decorrer da sua existência. Ele está instalado, mas de uma maneira que convém proteger e amplificar. [] Temos inevitavelmente de regressar à distinção [] entre o domínio da arte, invenção de formas novas adequadas a um distanciamento em relação àquilo que nos domina, e o domínio do divertimento, que é uma parte constitutiva da propaganda dominante. O teatro exige que se active fortemente esta distinção. Porque ele é, como proclama Mallarmé, uma arte superior."
Alain Badiou
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O Repúdio do Conhecimento
Teatro Nacional São João
de Stanley Cavell
Tradução de Alda Rodrigues Prefácio de Daniel Jonas
"Estamos perante uma antologia de ensaios shakespearianos de um não shakespeariano tornado uma autoridade entre shakespearianos. Cavell adverte à partida para a existência de uma distância cautelar entre filosofia e literatura. O diálogo que Cavell enceta com Shakespeare é, assim, o de um filósofo com um arguente filosoficamente pouco interpelável. A hibridez disciplinar de Cavell está na defesa de que Shakespeare não poderia ser quem é se a sua obra não convocasse as preocupações filosóficas mais profundas da sua cultura, e no seu objectivo de provar que a obra de Shakespeare exibe exemplarmente uma certa cartografia do cepticismo e que as suas peças parecem falar, fazem perguntas, testam a filosofia. Esta shakespeariana mostra-nos, com notável mestria, os caminhos tortuosos do conhecimento por via da dificuldade de reconhecimento. O ponto geral resulta de uma intuição importante: a incerteza sobre a existência do mundo externo é a doença do céptico, e essa é a doença de todas as personagens trágicas de Shakespeare, as quais descrevem uma rota particular de colisão ao colocarem em dúvida a sua existência e a existência dos outros nesse mundo." Daniel Jonas, do prefácio António e Cleópatra Rei Lear Otelo Coriolano Hamlet O Conto de Inverno Macbeth
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O Balcão
Teatro Nacional São João
de Jean Genet
tradução e prefácio de Regina Guimarães
Chantal: Eles só sabem lutar e tu só sabes amar-me. é o papel que aprendeste a interpretar. Mas comigo é diferente. Para alguma coisa o bordel me serviu, pois que me ensinou a arte de representar e de fingir. Tive de interpretar tantos papéis que os conheço quase todos. E tive tantos partenaires Roger: Chantal! Chantal: E alguns tão sabidos e tão retorcidos, tão eloquentes, que a minha ciência, a minha manha, a minha eloquência são incomparáveis. Posso tratar por tu a Rainha, o Herói, o Juiz, o Bispo, o General, a Tropa heróica e enganá-los. Roger: Conheces todos os papéis, não conheces?
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Tragicomédia de Dom Duardos
Teatro Nacional São João
de Gil Vicente
tradução e notas de Mário Barradas, Margarida Vieira Mendes
Prefácio de Margarida Vieira Mendes
Tragicomédia de Dom Duardos inaugura um novo género de teatro na obra de Gil Vicente: o das tragicomédias. Ao partir da novela de cavalaria Primaleón, redimensionando sequências e introduzindo muita música, Vicente faz de Dom Duardos um tratado de amor. Através de um jogo de espelhos entre três pares o aristocrático (Duardos/Flérida), o seu reverso (Camilote/Maimonda) e o casal Julião/Constança Roiz e três lugares (a corte, a horta e a viagem no mar), o estado amoroso é glosado nos seus excessos e paradoxos. O amor feminino ganha especial importância, manifestando-se em Flérida como luta interior de recusa e de entrega. O romance cantado no final conclui com a "sentença" que proclama o amor como valor em si próprio: "que contra morte e amor/ ninguém não tem mais valia." Foi a peça escolhida por Ricardo Pais para a sua primeira encenação no Teatro Nacional São João.
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O Grande Teatro do Mundo
Teatro Nacional São João
de Pedro Calderón de la Barca
tradução e notas de José Bento
prefácio de Guillermo Heras
Texto referencial de um género específico, o auto sacramental da Espanha seiscentista, esta é uma peça alegórica em um acto, sem estrutura temporal, de tema principalmente eucarístico, destinada a ser apresentada no dia do Corpo de Deus.
As personagens de O Grande Teatro do Mundo são, na sua maioria, de natureza simbólica, não lhes estando associada qualquer "construção psicológica". A ideia do mundo como uma contínua representação teatral ancora a sua essencialidade poética. Por detrás do veio ideológico/eclesiástico que a estrutura, e de uma fina análise de classes, sobressai o fulgor da poética calderoniana. A luxúria das suas metáforas e metonímias e o ritmo interno da versificação revelam um oratório cuja proposta é eminentemente lírica. Reconhecido divulgador da poesia espanhola clássica e contemporânea, o poeta José Bento (1932-2019) assina a tradução.
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